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Fundação de casa: os tipos e quando cada um entra

Antes de levantar a primeira parede, você vai ter que decidir — junto com o engenheiro — como a casa vai se apoiar no chão. Estaca broca, sapata, viga baldrame ou radier: cada caminho muda o custo, o prazo e até o jeito de pedir o concreto. Este guia explica cada tipo em linguagem simples, para você entender o que está sendo proposto para a sua obra.

O que a fundação faz — e por que ela depende do solo

A fundação tem uma função só: pegar todo o peso da casa — paredes, laje, telhado, móveis, pessoas — e transferir esse peso para o solo sem que nada afunde ou trinque. Parece simples, mas o solo não é igual em todo lugar. Tem terreno que aguenta bastante carga logo na superfície e tem terreno em que a camada firme está metros abaixo, escondida sob material fofo.

Por isso não existe "a melhor fundação": existe a fundação certa para aquele solo carregando aquele peso. Uma casa térrea leve num terreno firme pede uma solução; um sobrado no mesmo terreno pode pedir outra; a mesma casa térrea num solo mole pede uma terceira. É essa combinação — resistência do solo mais peso da construção — que o engenheiro avalia antes de escolher o tipo. E é por isso que a decisão começa pela sondagem do terreno, assunto do fim deste artigo, e não pelo palpite de quem já construiu na rua.

Estaca broca: descendo até o solo firme

A estaca broca é provavelmente a fundação mais comum em casas térreas e sobrados pequenos. A ideia é direta: quando o solo da superfície não é confiável, perfura-se um buraco cilíndrico até alcançar profundidade com solo mais firme, coloca-se a armadura de ferro e preenche-se o furo com concreto. Cada estaca vira um "pilar enterrado" que leva a carga para baixo.

O furo pode ser aberto com um trado manual — uma espécie de broca grande girada por duas pessoas — ou com perfuratriz mecânica, que agiliza quando são muitas estacas ou o solo é mais duro. As estacas são distribuídas nos pontos onde a carga da casa se concentra, e sobre elas nasce a viga baldrame, que amarra tudo. Na hora de concretar, o volume por estaca é pequeno, mas o total da obra soma rápido; o concreto precisa ser fluido o bastante para preencher o furo sem deixar vazios, com brita pequena para passar entre os ferros.

Sapata: o apoio largo perto da superfície

A sapata é uma fundação rasa: em vez de descer fundo, ela abre a base de apoio perto da superfície. Funciona como o pé de um móvel — quanto maior a área em contato com o chão, menos o peso "afunda". Ela só faz sentido quando o solo firme está a pouca profundidade, coisa de um a dois metros de escavação.

Existem dois formatos principais. A sapata isolada é um bloco de concreto armado sob cada pilar: escava-se uma cava, monta-se a armadura em formato de placa e concreta-se; o pilar nasce dali. É típica de construções com estrutura de pilares e vigas. Já a sapata corrida é uma faixa contínua de concreto que acompanha o desenho das paredes, usada quando são as próprias paredes que carregam o peso da casa — comum em construções térreas mais simples. Nos dois casos o concreto é estrutural, com o fck definido em projeto, e o lançamento costuma ser direto na cava.

Viga baldrame: a amarração da fundação

A viga baldrame é a peça que costura a fundação. É uma viga de concreto armado, enterrada ou meio enterrada, que corre por baixo de todas as paredes ligando as cabeças das estacas ou os blocos de fundação entre si. Sem ela, cada apoio trabalharia sozinho; com ela, a fundação vira um conjunto que se movimenta junto, o que reduz muito o risco de trincas nas paredes.

Além de amarrar, o baldrame serve de base para levantar a alvenaria: é sobre ele que assenta a primeira fiada de tijolos. Por ficar em contato com o solo, ele também recebe impermeabilização, que barra a umidade que subiria pela parede. A execução segue o roteiro clássico: abrir a vala, montar forma e armadura, e concretar — em geral com concreto estrutural comum, pedido junto com as estacas ou as sapatas para aproveitar o mesmo caminhão quando os volumes e prazos permitem.

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Calcule o concreto da sua fundação

Estacas, baldrame e radier têm volumes bem diferentes — e errar a conta significa caminhão de menos no meio da concretagem ou sobra paga sem uso. Use a calculadora para estimar os metros cúbicos de cada peça antes de pedir orçamento.

Radier: a placa única

O radier inverte a lógica dos outros tipos: em vez de apoios separados, a casa inteira senta sobre uma única placa de concreto armado, que cobre toda a área da construção. O peso se espalha por essa área grande, o que permite usar o radier mesmo em solos de resistência apenas razoável — desde que sejam uniformes, sem partes moles isoladas.

A execução concentra tudo numa etapa só: prepara-se e compacta-se a base, posicionam-se as tubulações de água e esgoto (que ficarão dentro ou sob a placa, por isso não podem sair erradas), monta-se a malha de ferro e concreta-se a placa inteira, de preferência de uma vez. O resultado já sai nivelado e serve de contrapiso, o que elimina etapas depois. Em compensação, o volume de concreto é o maior entre os tipos e a concretagem pede planejamento: bomba na maioria dos casos, equipe suficiente e caminhões chegando em sequência, sem intervalo longo entre um e outro.

Resumo: tipo por tipo

TipoComo éObra típicaConcreto usado
Estaca brocaFuro perfurado no solo, armado e preenchidoCasa térrea e sobrado em solo que exige descer maisFluido, brita pequena, volume pequeno por estaca
SapataBase larga de concreto armado perto da superfícieSolo firme e raso; isolada sob pilar, corrida sob paredeEstrutural, lançado direto na cava
Viga baldrameViga enterrada ligando estacas ou sapatasComplemento de quase toda fundação de casaEstrutural comum, em forma e vala
RadierPlaca única armada sob toda a casaCasa térrea em terreno plano e solo uniformeVolume maior, geralmente bombeado, concretado de uma vez

Em todos os casos, o fck e as medidas vêm do projeto — a tabela mostra a lógica de cada tipo, não substitui o cálculo.

Sondagem e projeto: o que decide de verdade

A sondagem é um ensaio feito no seu terreno, antes do projeto, em que um equipamento perfura o solo e registra a resistência das camadas em cada profundidade. É ela que revela onde está o solo firme, se há água no caminho e que tipo de material a fundação vai atravessar. Com esse relatório em mãos, o engenheiro responsável escolhe o tipo de fundação, dimensiona cada peça e define o fck do concreto — a NBR 6118 rege o projeto das estruturas de concreto, e é o profissional que responde por essas decisões.

Daí o erro clássico de copiar a fundação do vizinho: dois lotes lado a lado podem ter subsolos diferentes — aterro de um lado, solo natural do outro — e duas casas parecidas podem ter pesos bem distintos. A fundação é justamente a parte da obra que não se conserta depois de pronta: reforçar uma fundação que afundou custa muito mais do que sondagem e projeto teriam custado. Se há um lugar da obra onde não vale improvisar, é embaixo dela.

Perguntas frequentes

Qual a fundação mais barata para casa térrea?

Depende do terreno. Em solo firme e plano, o radier costuma sair competitivo porque fundação e contrapiso viram uma coisa só; em outros casos, a combinação de estaca broca com viga baldrame é a solução mais econômica. Só a sondagem do solo e o projeto conseguem dizer qual caminho custa menos no seu lote, então na dúvida, cote os dois caminhos e compare no papel.

Toda casa precisa de estaca?

Não. Se o solo firme está próximo da superfície, uma fundação rasa — sapata ou radier — pode resolver sem nenhuma estaca. A estaca entra quando a camada resistente está mais funda e é preciso descer até ela. Quem determina isso é a sondagem do terreno, interpretada pelo engenheiro responsável.

Quem define a fundação da obra?

O engenheiro responsável pelo projeto, com base na sondagem do solo e no peso da construção. A fundação é a parte da casa que não dá para corrigir depois de pronta, então essa decisão não deve ficar com o pedreiro nem ser copiada da obra do vizinho. O projeto também define o fck do concreto e as medidas de cada peça.

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