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Escoramento de laje: quanto tempo manter as escoras
Uma semana depois da concretagem, a laje já parece dura: dá para andar em cima, bater o pé, apoiar a mão sem marcar. É nesse ponto que alguém sugere tirar as escoras "para liberar o vão e adiantar o serviço". A laje parece pronta — mas parecer e estar são coisas diferentes, e essa diferença é exatamente o assunto desta conversa.
Por que a laje precisa de escora
Concreto não fica pronto quando endurece: ele endurece primeiro e ganha força depois, aos poucos, ao longo de semanas. Nos primeiros dias a laje já está sólida ao toque, mas ainda tem só uma parte da resistência para a qual foi calculada. A referência de projeto é a resistência aos 28 dias — é para esse valor que o engenheiro dimensionou a peça.
Enquanto essa força não chega, quem segura o peso da laje — o peso dela mesma, mais o material e as pessoas que circulam por cima — são as escoras. Elas transferem a carga para o pavimento de baixo ou para o solo, deixando o concreto amadurecer sem trabalhar além do que aguenta. Tirar a escora é, na prática, dizer para a laje: "agora se vire sozinha". Se isso acontecer antes da hora, ela se vira do jeito que consegue — cedendo, trincando ou, no pior cenário, caindo.
Quantos dias, afinal?
A resposta honesta tem duas partes. A primeira: quem define o prazo é o projeto e o responsável técnico da obra, porque o tempo certo depende do vão, da carga, do tipo de laje, do concreto pedido e de como foi feita a cura. A segunda: na prática de canteiro, a retirada costuma acontecer na faixa de 14 a 28 dias depois da concretagem, conforme o caso — e mesmo dentro desse intervalo ela não é feita de uma vez, como você vai ver adiante.
Vãos pequenos e lajes leves ficam mais perto do começo dessa faixa; vãos grandes, balanços (aquelas partes da laje sem apoio embaixo, como marquises e sacadas) e peças muito carregadas ficam perto do fim — ou além dele. Balanço, aliás, é caso à parte: é o tipo de peça que mais sofre com desforma apressada e costuma exigir escoramento por mais tempo. Para tomar essas decisões o engenheiro se apoia na NBR 14931, a norma de execução de estruturas de concreto (as resistências em si vêm do projeto); para quem está na obra, o resumo é um só: pergunte ao responsável e siga o que ele mandar, não o costume do pedreiro da rua de cima.
Retirada gradual e reescoramento
Escora não se tira toda de uma vez. A desforma bem feita é gradual: retira-se parte do escoramento e das fôrmas seguindo a sequência definida pelo responsável — em geral do centro do vão para os apoios — observando como a laje se comporta a cada etapa.
Junto com isso entra o reescoramento: depois de retirar as fôrmas, mantêm-se (ou reposicionam-se) linhas de escora em pontos estratégicos por mais um período. Elas continuam ajudando a laje enquanto a resistência termina de chegar, e são indispensáveis quando se vai concretar outro pavimento por cima — o peso da laje nova desce pelas escoras até uma estrutura que já aguenta. Por isso, em prédio e sobrado, é comum ver dois ou até três níveis escorados ao mesmo tempo. Arrancar tudo num dia só para "limpar o vão" é o atalho que mais gera trinca em laje nova.
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O que acelera ou atrasa o prazo
O intervalo de 14 a 28 dias é largo justamente porque vários fatores empurram o prazo para um lado ou para o outro. Os principais:
| Fator | Efeito no prazo |
|---|---|
| Resistência do concreto (fck) | Concreto de classe mais alta tende a ganhar força mais cedo; concreto no limite do projeto pede mais paciência. |
| Clima | Calor acelera o endurecimento; frio atrasa o ganho de resistência (umidade, ao contrário, ajuda — é o princípio da cura). |
| Cura | Laje molhada e protegida nos primeiros dias ganha força de forma confiável; cura malfeita atrasa e enfraquece. |
| Carga sobre a laje | Material empilhado e serviço pesado em cima pedem escoramento por mais tempo. |
| Vão e balanço | Vãos grandes e balanços deformam mais e exigem prazo maior de escora. |
Repare que a cura aparece no meio da lista, e não por acaso: molhar a laje nos primeiros dias não é frescura, é o que garante que o concreto chegue aos 28 dias com a força prometida. Escoramento e cura são os dois cuidados irmãos da laje nova — um segura o peso, o outro constrói a resistência.
Os erros que mais aparecem
Três situações se repetem em obra e valem o alerta:
- Empilhar material na laje nova. Paletes de tijolo, sacos de cimento e areia concentrados num ponto só carregam a laje justamente quando ela está mais fraca. Se precisar estocar, distribua a carga, espere a liberação do responsável e mantenha o escoramento por baixo.
- Tirar escora para "adiantar o reboco". O vão livre facilita o serviço, mas o preço pode ser uma laje que cede no meio. Serviço embaixo de laje escorada se faz trabalhando entre as linhas de escora — nunca removendo o que ainda segura a peça.
- Escorar sobre solo fofo. Escora só funciona se o apoio não afundar. Pé de escora direto em terra solta, aterro recente ou barro molhado vai penetrando no chão com o peso, e a laje desce junto, milímetro a milímetro. Use tábuas ou pranchões de base para espalhar a carga e confira o apoio depois de chuva.
Sinais de alerta: quando parar e chamar o engenheiro
Alguns sintomas pedem que se pare tudo — inclusive a retirada de escoras que estiver em andamento — e se chame o responsável técnico na hora. O primeiro é a flecha, que é o nome de obra para a barriga da laje: olhando pelo lado de baixo, o meio do vão visivelmente mais baixo que as bordas. Alguma deformação pequena é esperada, mas barriga que se percebe a olho nu, ou que aumenta de um dia para o outro, é sinal de peça trabalhando além da conta.
O segundo é a trinca, principalmente as que acompanham o meio do vão por baixo da laje ou que abrem sobre os apoios, e as que crescem com o tempo. O terceiro é a escora afundando ou envergando: pé penetrando no solo, escora saindo do prumo, cunha frouxa. Nenhum desses sinais se resolve com reboco por cima ou com pressa. Quem avalia se é acomodação normal ou problema estrutural é o engenheiro — e quanto antes ele olhar, mais barata é a correção.
Perguntas frequentes
Quantos dias para tirar a escora da laje?
Na prática de obra, a retirada costuma acontecer entre 14 e 28 dias depois da concretagem, e mesmo assim de forma gradual, mantendo o reescoramento. O prazo exato depende do vão, da carga, do tipo de laje, do concreto usado e do clima. Quem define é o responsável técnico da obra, não o calendário do vizinho.
Pode andar na laje escorada?
Depois que o concreto endureceu o suficiente para não marcar, o trânsito leve de pessoas para os trabalhos da própria laje costuma ser tolerado, com cuidado. O que não pode é carga concentrada: pilhas de tijolo, sacos de cimento, caixas d'água e equipamento pesado sobrecarregam uma peça que ainda está ganhando resistência. Sempre confirme com o responsável pela obra antes de liberar qualquer uso.
O que acontece se tirar a escora cedo?
A laje passa a se sustentar sozinha antes de ter resistência para isso. O resultado vai de flecha exagerada e trincas que aparecem meses depois até, nos casos graves, o colapso da peça durante a desforma. Mesmo quando a laje não cai, a deformação que ela sofre nessa fase é em grande parte permanente e compromete pisos, forros e alvenarias apoiadas nela.
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